Cloroquina. Tratamento precoce. Teorias da conspiração. Falta de apoio econômico à população e aos comerciantes. Ritmo lento na vacinação. Motivos não faltam para rotular a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia como desastrosa.

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Sua promoção de curas ineficazes causou milhares de mortes evitáveis. Agravou a pandemia a ponto de deixar os hospitais completamente lotados. Fez até mesmo que remédios que não servem para o tratamento da Covid-19, mas que são eficazes contra outras doenças, tivessem seus estoques esgotados nas farmácias.

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O Brasil vive sob ameaça de uma terceira onda que, segundo especialistas, seria mais mortal que as duas primeiras. Tudo isso poderia ser evitado.
O governo brasileiro recusou 11 ofertas de fornecimento de vacinas contra a Covid-19 no ano passado, quando dezenas de outros países já agilizavam o planejamento de vacinação. O Ministério da Saúde ignorou todas as propostas e há provas documentais dessa omissão, que estão sendo levadas à CPI que investiga a postura do governo na pandemia.

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Já são mais de 420 mil mortes e recordes negativos atrás de recordes negativos. A resposta de Bolsonaro e sua turma tem sido uma combinação de negação da doença e omissão. Também contribuiu para esse número de mortes o tamanho da desigualdade do país. Os R$ 600 do auxílio-emergencial só foram pagos no ano passado graças à oposição – o presidente, desde o início, queria pagar 1/3 apenas desse valor.

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Aliado ao despreparo de Bolsonaro, alguns de seus seguidores lunáticos ainda promovem manifestações contra as restrições. Mesmo após tantas mortes insistem que “a fome mata mais que o vírus”. Médicos e cientistas são unânimes: sem um confinamento eficiente de pelo menos três semanas o Brasil não vai conter a transmissão, mesmo com a vacina.

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Não há plano de gestão nacional, diretrizes claras, campanha de informação e nem mesmo postura de um chefe de estado.

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Por outro lado, verdadeiros heróis estão nos hospitais tentando salvar vidas e o país de um governo omisso e irresponsável. Que a CPI da Covid seja implacável e responsabilize os culpados por essa tragédia.

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Luiz Fernando Teixeira Ferreira é deputado estadual (PT/SP)