Um pacote de arroz a R$ 25, o litro da gasolina a R$ 4,50, aumento da conta de luz, projeção de queda do PIB em 5% em 2020, 14 milhões de desempregados e 180 mil mortos pela pandemia do Coronavírus. Nada disso parece importar para o presidente Jair Bolsonaro, que conta os dias e as horas para o encerramento do Auxílio-Emergencial. A fome volta a rondar os brasileiros quando pensávamos que esse grande problema caminhava para uma solução.

O Brasil registra novamente números alarmantes na pandemia: mais de quatro mil pessoas morreram apenas na primeira semana de dezembro, maior marca desde outubro. A temida segunda onda se aproxima cada vez mais e deve fazer mais vítimas nos próximos dias. É justamente agora que, sem emprego e sem renda, as famílias mais vulneráveis aguardam com tristeza e apreensão a chegada de 2021.

Dados do Ministério da Cidadania revelam que mais de 66 milhões de famílias recebem o auxílio-emergencial. A partir de janeiro ficarão de mãos e pratos vazios. Quando a recessão causada pela Covid-19 atingiu o Brasil, em meados de março, o mercado já estava extremamente fragilizado. No ano passado 51 milhões de brasileiros já se encontravam abaixo da linha da pobreza.

“Basta tirar o PT para o país melhorar”, dizia a oposição antes do golpe de 2016. Os 13 anos de governos Lula e Dilma não apenas garantiram acesso de milhões de brasileiros a um prato de comida, mas também à alimentação saudável. Após séculos de descaso, o Brasil finalmente saía do “Mapa da Fome”, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2014. Esse mapa inclui países em que mais de 5% da população se encontra em pobreza extrema, ganhando menos que US$ 1,90 por dia.

Entre 2002 e 2012 reduzimos em 82% a população em situação de subalimentação. Grande parte desse resultado deve-se ao sucesso do programa Bolsa Família, que infelizmente ainda é ridicularizado pelas altas classes do país e que foi um dos principais marcos na redução da fome e da desigualdade.

Curiosamente a situação começou a se agravar quando Dilma foi retirada da presidência pela oposição. Entre 2014 e 2015 eram nove milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza, mas o número saltou para quase 12 milhões, em 2016, e chegou aos 13,6 milhões no ano passado.

Hoje temos um governo sem norte e sem nenhum planejamento nas áreas sociais. Uma das primeiras medidas de Bolsonaro logo ao assumir seu mandato foi a de extinguir os conselhos de segurança alimentar. O Brasil caminha a passos largos para retornar ao “Mapa da Fome”, enquanto o presidente continua de braços cruzados e despreocupado com o futuro de nosso povo.

 Luiz Fernando é deputado estadual pelo PT