O deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB), aliado do governador João Doria (PSDB) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) com 65 dos 94 votos. O tucano, que contou com apoio das bancadas do PT e do DEM, derrotou os candidatos Sergio Victor (Novo), que teve cinco votos, Carlos Gianazzi (PSOL), com quatro votos e Major Mecca (PSL), que contou com apoio de 16 parlamentares.

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Com o alinhamento dos petistas e democratas em torno da eleição de Pignatari, os partidos ficaram, respecti­vamente, com as primeira e segunda secreta­rias. Luiz Fernando (PT), com base eleitoral em São Bernardo, foi eleito  primeiro secretário com 60 votos. Rogério Nogueira (DEM) ficou com a segunda secretaria, com 65 votos.

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Ao Diário Regional, Luiz Fernando afirmou que o cargo de primeiro-secretário é o mais importante que o PT na esfera do Estado de São Paulo e que é um direito do partido por conta da proporcionalidade. Confira a entrevista.

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Qual a importância de fazer parte da mesa como primeiro secretário?

O primeiro secretário é o segundo cargo mais importante da Assembleia Legislativa. é o cargo mais importante que o Partido dos Trabalhadores tem na esfera do Estado de São Paulo. O primeiro-secretário, juntamente com o presidente e o segundo-secretário, governam a Alesp.

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Sua indicação está atrelada ao apoio – fundamental – a Carlão Pignatari (PSDB). Esse apoio não é contraditório, já que o PT é oposição?

Não. A indicação não está atrelada ao Pignatari. A indicação nossa é uma questão de proporcionalidade. A Consti­tuição Federal e Estadual definem que no preenchimento dos cargos da Mesa Diretora e das Comissões Permanentes das Casas Legislativas a proporcionalidade deve ser res­peitada. Portanto, o PT, como tendo a segunda maior bancada, faz jus a pleitear essa posição. Não é acordo. É direito do PT ocupar essa posição. O PSL não ocupa porque ele disputa. Se não disputasse teria direito de pleitear essa posição.

Não há contradição em ocupar o posto, primeiro porque o PT lidera a oposição ao go­verno Doria e aos desmontes que o PSDB vem fazendo em nosso Estado há muito tempo. É o primeiro que vem denunciando escândalos de corrupção, pedin­do CPIs (Comissão Parlamentar de Investigação); fazendo oposição contumaz a essa política de desmonte e de empobrecimento.

No caso específico é gestão da Mesa e isso não é contraditório, porque é direito. O PT não está ali por favor. Está ali por direito conquistado nas urnas.

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A Casa aprovou duas propostas polêmicas enviadas por Doria – a reforma da Previdência estadual e o pacote de ajuste fiscal. Como analisa a avaliação dessas duas propostas?

Em relação às duas propostas, o PT fez oposição frontal. Conseguimos avanços, mas no final fomos derrotados. Essas duas propostas são de desmonte e, efetivamente, de confisco do salário dos servidores públicos. Desnecessárias as reformas acontecidas. O Estado de São Paulo concede grandes incentivos, sobretudo para seus amigos. O tamanho da renúncia fiscal remonta a R$ 20 bilhões/ano. Bastava o governo dei­xar de fazer essas renúncias. São duas propostas infelizes.

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Como vê a posição de alguns deputados, que mesmo sendo do partido do governador João Doria e o apoio a seu indicado, lutaram para que o sr não fosse escolhido primeiro secretário?

No caso específico foi apenas a deputada Carla Morando (PSDB) que descumpriu o acordo, que era de que os deputados do PT votassem no candidato do PSDB e os deputados deles votassem no candidato do PT. Ela que tem de justificar para o governador e para o presidente eleito. Isso ficou ruim para ela.

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Há 14 anos o presidente eleito da Assembleia é sempre do mesmo partido do go­vernador. Não é prejudicial a falta de alternância?

Infelizmente, a população de São Paulo tem escolhido o mesmo partido, que constrói sua maioria na Assembleia e escolhe a gestão da Casa. É o resultado da democracia. Apesar de os resultados serem contrários à nossa vontade, tem sido a vontade do povo.

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O alinhamento entre petistas e tucanos ajuda a ace­lerar a aprovação de projetos importantes neste período de pandemia, como da “bolsa-trabalho”?

Estaremos alinhados na aprovação. A bancada do PT pretende melhorar o projeto. Que a gente possa pensar em aumentar esse valor e atingir um número maior de pessoas em situação de extrema pobreza. A bancada do Partido dos Trabalhadores apresentou ao governo a necessidade de vir com esse auxílio, o Bolsa Trabalho, ainda entre abril e maio de 2020. Tardiamente, porém, o governo manda o projeto importante desse para a Casa e, com certeza a aliança com maior número de deputados vai favorecer a aprovação desse projeto.